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sábado, 2 de abril de 2022

As diferentes altitudes de Belo Horizonte

(Por Arnaldo Silva) Belo Horizonte, a Capital de Minas Gerais, conta atualmente com cerca de 2,5 milhões de habitantes. Com uma área territorial de 331 km², é o município mais populoso do estado, o terceiro da região Sudeste e o sexto do país.
          Belo Horizonte foi considerada a metrópole de melhor qualidade de vida na América Latina, quando foi indicada pelo Population Crisis Commitee, da Organização das Nações Unidas (ONU). (Belo Horizonte na fotografia acima de Thelmo Lins)
          Além disso, por contar com 32 m² de área verde por habitante, o triplo que a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda, Belo Horizonte recebeu o diploma de “Cidade Modelo na Área Ambiental”.
          Segundo dados da ONU, de 2008, Belo Horizonte está entre as 100 melhores cidades do mundo, ocupando aa 45.ª posição no ranking da entidade, nesta época.
          Em 2009, Belo Horizonte foi classificada pela revista América Economia, como uma das dez melhores cidades latino-americanas para fazer negócios. Ficou atrás apenas de São Paulo e à frente de Rio de Janeiro, Brasília e Curitiba, segundo a revista.
          Embora tenha muito ainda que melhorar em todas as áreas, a cidade oferece boa infraestrutura urbana e de qualidade de vida a seus moradores, em relação a outras capitais do país.
Altitude da capital os mineiros
          O que chama atenção na capital mineira, além dos bares, botecos, sua gastronomia, arquitetura, festivais, dezenas de teatros, museus, parques, praças e jardins, são as montanhas em seu redor e principalmente suas diferenças climáticas, provocadas por diferentes altitudes. (na foto acima de Marley Mello, a região da Pampulha em BH)
          Belo Horizonte não é uma cidade plana. Sua altitude média é de 852 metros acima do nível do mar, mas isso não quer dizer que seja essa a altitude de toda a cidade. Em cada região, podemos perceber altitudes variadas e até discrepantes, entre e menor e a maior altitude.
Variações de altitudes de Belo Horizonte
          A altitude de Belo Horizonte está entre 673 e 1.506 metros acima do nível do mar, com variação média de 800 metros de altitude, segundo o setor de Geoprocessamento da Empresa de Informática e Informação de Belo Horizonte (PRODABEL). (fotografia acima de Charles Tôrres/@charles50mm)
          Com 673 metros de altitude, acima do nível do mar, o ponto mais baixo da capital mineira é o bairro Capitão Eduardo, nas proximidades da foz do Ribeirão do Onça com o Rio das Velhas, na região Nordeste de Belo Horizonte.
          Já o ponto mais alto é a Serra do Curral Del Rei, no outro extremo do ponto mais baixo, ao sul de Belo Horizonte. O pico mais alto da Serra do Curral, encontra-se no Parque do Rola Moça, a 1506 metros de altitude.
          Em termos de regiões e bairros, segundo dados da Prodabel, a região mais alta de Belo Horizonte é a região Centro-Sul, com destaque para os bairros Belvedere, a 1.284 metros de altitude e o bairro Mangabeiras, a 1400 metros de altitude.
          Na Zona Leste, o bairro Baleia registra 1.390 metros de altitude e o bairro Concórdia, 928 metros. Na Zona Norte, o bairro Serra Verde é o de maior altitude, com 943 metros. Já na região Noroeste da Capital, o bairro Califórnia está a 988 metros, acima do nível do mar.
          No restante das regionais de Belo Horizonte, a altitude está abaixo de 900 metros de altitude.
Alta e baixa pressão atmosférica
          Tanta diferença assim na altitude, faz com que o clima da capital mineira seja completamente diferente em vários bairros e regionais da capital. Isso porque a altitude influencia no clima, através da pressão atmosférica. Como consequência, ocorre o aumento ou diminuição da temperatura. Ou seja, quanto maior for a pressão do ar, o clima será mais quente e quanto menor for a pressão, será mais frio. (na foto acima de Leandro Leal, a Praça do Papa na região Centro Sul da capital)
          Sem contar os efeitos da altitude sobre o organismo. Quanto maior a altitude, mais leve é o ar e a circulação de oxigênio, menor. Como consequência, ocorre a diminuição da pressão atmosférica. O organismo humano sente as consequências da diminuição da pressão atmosférica, com reações como falta de ar, dores de cabeça, náuseas, fraquezas, abatimento e moleza.
          Em lugares de baixa altitude, ocorre é o aumento da pressão atmosférica. Isso faz com que a quantidade de ar seja maior e a sensação do ar estar “pesado”. O corpo humano reage quando ocorre mudanças bruscas de altitude, como por exemplo, sair de baixa altitude para outra de alta. Em 1 ou 2 dias, dependendo do organismo, podem ocorrer falta de ar, cansaço rápido, indisposição, aumento dos batimentos cardíacos, dores de cabeça, náuseas e distúrbios do sono.
          Essas sensações adversas, provocadas pelas diferentes altitudes da capital, são mais sentidas no outono e primavera, devido estiagem e baixa umidade, que torna o clima seco e o ar rarefeito. Já os visitantes e turistas, sentem a diferença de imediato, bem menos que os moradores da capital, que já tem o organismo mais adaptado às diferentes pressões atmosféricas.
          Em um bairro, o ar pode estar leve e úmido, em outro, pesado e seco. Pode estar frio em uma regional e quente em outra. Chover em uma região e em outras, nem sinal de chuvas. (na foto abaixo de Thelmo Lins, vista parcial de Belo Horizonte)
          Conhecendo as diferentes altitudes e características climáticas da capital, bem como suas variações, facilita a ação do poder público no planejamento de ações tanto na área de saúde, quanto em intervenções urbanas na capital.

terça-feira, 29 de junho de 2021

O estilo europeu do Palácio da Liberdade

(Por Arnaldo Silva) No topo de uma colina do arraial do Curral Del Rei, subordinado a Sabará, no século XIX, segundo a sabedoria popular, não oficial, ex escravos, livres ou alforriados, se encontravam para ajudar escravos, ainda cativos nas senzalas das fazendas da região, a comprarem suas liberdades.
          Esse lugar se popularizou com o nome de Liberdade. No ano da Abolição da Escravidão no Brasil, 1888, o local que os ex escravos se reuniam, Liberdade, se transformou em praça do arraial de Curral Del Rei, passando a se chamar, Praça da Liberdade, a partir de 1888. (na fotografia acima de Nacip Gômez, a escadaria de acesso para o segundo andar)
          Com a decisão da implantação da nova capital de Minas Gerais, numa região mais central, o local escolhido para ser a nova capital dos mineiros, foi o arraial de Curral Del Rei, tendo como centro administrativo da futura capital, justamente, a Praça da Liberdade, do arraial. (na fotografia acima, o Arraial do Curral Del Rey em 1890, com destaque para a antiga Matriz de Nossa Senhora da Boa Viagem. Fotografia: Arquivo Público Mineiro/Domínio Público)
          A partir da escolha da nova sede da capital mineira, começam as construções e execuções dos projetos da futura capital, que seria inaugurada em 1897. A Praça da Liberdade foi urbanizada, prédios públicos começaram a serem erguidos, com destaque para a nova sede do Governo de Minas Gerais, o Palácio da Liberdade. (na fotografia acima do Wilson Paulo Braz/@paulobraz10, alguns dos prédios públicos da Praça da Liberdade)
          Toda Belo Horizonte, da época, teve em sua arquitetura urbana, bem como os traçados de suas ruas e avenidas, inspiração no urbanismo das cidades de Paris, na França e Washington, nos Estados Unidos. A cidade foi projetada para ter uma população de no máximo, 400 mil habitantes. Hoje tem 2,5 milhões.
A construção do Palácio da Liberdade
          Projetado pelo engenheiro e arquiteto pernambucano, José de Magalhães, o imponente e suntuoso Palácio da Liberdade, é um dos grandes destaques da arquitetura mineira, do final do século XIX. O arquiteto projetou o prédio, se inspirando no estilo neoclássico, mesclando ainda outros estilos da época, como o estilo Luís XVI, e traços do estilo mourisco, muito comum na Espanha e Portugal, no século XIX. Sua arquitetura, ornamentação e jardins, tem um pouco da Alemanha, Bélgica, Espanha, Portugal e França. (na foto acima do Arnaldo Silva, os fundos do palácio)
          Inaugurado em 1898, um ano depois da instalação de Belo Horizonte, como capital de Minas Gerais, o Palácio da Liberdade, foi idealizado para ser a mais importante construção da capital mineira, já que foi feito para ser a sede do Governo de Minas Gerais e moradia dos governadores mineiros.
Detalhes e ornamentação interna europeia
          São três pavimentos, com fachada em cantaria lavrada, um tipo de pedra lisa, batida, muito comum nas construções daquela época. O prédio conta ainda com torreões com terraços, pilares revestidos em mármore, portas e janelas, em colunas jônicas (na foto acima do Arnaldo Silva, percebe os detalhes das portas e colunas jônicas). No topo da sacada frontal, um monumento em alusão à liberdade.
          Boa parte do material usado na construção do palácio, bem como mobiliário e ornamentação interna, foram importados da Europa, no final dos séculos XIX e início do século XX.
          No térreo, se destaca a escadaria em estilo art-nouveau, feita em mármore, ferro fundido e arranjos florais, também em ferro. Um tapete vermelho dá um tom de glamour à escadaria. (fotografia acima de Wilson Paulo Braz/@paulobraz10)
        Projetada no Brasil, foi integralmente construída na Bélgica, com os detalhes florais dos ferros fundidos, feitos na Alemanha (nos detalhes acima, na fotografia de Nacip Gômez). A belíssima escadaria dá acesso ao segundo andar, onde fica o receptivo, salão de reuniões, gabinete do governador, sacadas, sendo a principal, de frente para a praça, onde os governadores faziam discursos.
          O segundo piso do Palácio da Liberdade é o que chama mais atenção. Subindo a escadaria do hall de entrada para o salão nobre, o visitante se depara com o brilho, glamour e luxo das decorações do início do século XX. (na fotografia acima de Arnaldo Silva)
          No teto, um enorme lustre de cristal bacarat, com 40 tulipas e quatro painéis enormes, revestindo todo o teto e paredes laterais, com os temas: Salfe, Labor, Fortuna e Spes, não passam despercebidos. Impressionam os visitantes, que não resistem em observar cada detalhe das imponentes obras e detalhes decorativos. Três portas decoradas em dourado e bem talhadas, dão acesso ao salão nobre. (fotografia acima de Nacip Gômez)
          Visitando as salas e salões do segundo piso, impressiona ainda a riqueza do mobiliário, das finíssimas peças, vasos, quadros e telas, além de sua ornamentação, enfeites em papier mâché, pintado, bem como pinturas nos tetos, paredes com telas e molduras com finíssimos acabamentos, conhecidas na época como cimalhas.
Salas e salões
           Outro destaque do segundo andar é o piso dos salões e salas, feito no estilo parquê belga. Neste estilo, os soalhos formam desenhos e formas interessantes. (na foto acima do Thelmo Lins, uma das salas do palácio e abaixo de Nacip Gômez, o Salão de Reuniões)
          Chama a atenção, a impressionante riqueza dos objetos decorativos, principalmente, os cristais, os detalhes nas portas de entrada do salão, as poltronas e sofá no estilo da Renascença italiana, a Sala das Medalhas, a Sala do Couro, a Sala da Rainha, em homenagem a Rainha Elizabeth, da Bélgica, um vaso japonês no século 19 e outros vasos chineses, além do mobiliário em madeira, do salão dourado, no estilo Luís 16.
          Este estilo tem como base o estilo clássico e romântico. Conhecido ainda por neoclássico, tem como características principais o luxo e o excesso de dourado em suas talhas.
          O luxo e belezas das talhas desse estilo, estão presentes nas decorações de palácios, castelos e sedes de governos de todo o mundo, construídos no início do século XX. Os detalhes do luxo e dourado das talhas bem trabalhadas do estilo Luís XVI estão presentes nas salas e salões do Palácio da Liberdade, principalmente no salão nobre, onde fica o receptivo, salas e salões do palácio. (na foto acima e abaixo do Thelmo Lins, um dos belíssimos mobiliários, em estilo Luís 16, presentes nos salões do palácio)
          A decoração e ornamentação do Palácio da Liberdade, além da pintura da entrada do salão nobre, foi executado por um grupo de decoradores, formado por brasileiros e estrangeiros. Liderados pelo artista Frederico Antônio Steckel, o grupo veio do Rio de Janeiro para fazer a decoração interna do palácio.
          Já os painéis do teto do salão nobre, foram pintados pelo artista plástico Antônio Parreiras, em 1925. Nos painéis, está Apolo, cercado por cavalos brancos e ladeado por 12 musas, além das imagens das musas da música, pintura, literatura e escultura. (fotografia acima de Arnaldo Silva)
Mobiliários da Europa e os Reis da Bélgica
          No andar superior, foi construída a residência oficial dos governadores mineiros. São aposentados com fino acabamento, em estilo rococó e mobiliário importado.
          No final da década de 1910, o mobiliário do palácio foi renovado, com um finíssimo mobiliário, vindos da Europa.
          Isso porque, o Palácio da Liberdade, receberia em seus aposentos, Alberto e Elisabeth, Reis da Bélgica, na ocasião. A corte belga, chegou a Belo Horizonte em 2 de outubro de 1920. Foram recebidos com muita honra e pompa, com direito a sala de reuniões, sala de visitas, sala para chás e aposentos com mobília preparadas para receber a realeza belga. (fotografia acima de Arnaldo Silva)
          Foi a primeira viagem de monarcas europeus, ao Brasil, após a Proclamação da República, em 1889. A presença do Rei e Rainha da Bélgica, estreitou laços com o Brasil e principalmente, com Minas Gerais. Dessa aproximação, por exemplo, foi instalada em Minas Gerais, a Companhia Belgo-Mineira, em 1921. Alberto e Elizabeth, visitaram ainda, em Minas Gerais, a cidade de Lagoa Santa e a Mina de Morro Velho, em Nova Lima.
Os jardins do Palácio e a Praça da Liberdade
          Os jardins do palácio, foram projetados pelo paisagista francês, Paul Villon, no final do século XIX, que obviamente, seguiu os projetos de jardinagens franceses e também, com detalhes ingleses. (na foto acima de Wilson Paulo Braz/@paulovbraz10, os fundos do Palácio da Liberdade e na foto abaixo, também de @paulobraz10, a Alameda das Palmeiras)
          A praça foi dividida por uma alameda, ladeada por palmeiras imperiais e geometrias de seus canteiros, tem a assinatura de Reynaldo Dierberger, em 1920. O coreto dos jardins do palácio, teve a assinatura de Edgar Nascentes Coelho, em 1904 e Francisco Izidoro Monteiro, em 1909. Não é o coreto da praça, que foi inaugurado em 1923, é nas dependências dos jardins do palácio.
          Ornamentam os jardins, cinco diferentes esculturas francesas em mármore, um lago, uma capela, um quiosque em estilo oriental e postes com luminárias do século XIX, além do orquidário (na foto acima do Nacip Gômez)
          Quando de sua construção, tanto o palácio, quanto a praça, compunham um só espaço. A alameda rodeada por palmeiras, era a entrada principal do Palácio da Liberdade. A entrada não tinha a separação por rua e nem o palácio era cercado com grades, como é hoje. Foi a partir de 1968, que foram colocadas grades no entorno do palácio e abertura de uma rua, separando a Praça, da sede do Governo. (fotografia acima de Arnaldo Silva)
          Até 1950, os governadores mineiros moravam no terceiro piso do palácio, quando o então governador, Juscelino Kubitschek, determinou a construção do Palácio das Mangabeiras, no bairro de mesmo nome, para servir de moradia aos governadores. A partir de então, o Palácio da Liberdade, foi usado apenas, como sede administrativa, do Governo de Minas.
          A Praça da Liberdade, seus jardins, arborizações e construções imponentes, são uma completa mistura de cores, charme, beleza e riqueza dos vários estilos predominantes na Europa, no final do século XIX e início do século XX. (jardins do palácio fotografado pelo Nacip Gômez)
          Mesmo com novas construções ao longo do século XX, como o Edifício Niemeyer e passando por modificações e reformas, ao longo de mais de 120 anos, o Palácio da Liberdade, bem como, todo o conjunto arquitetônico que forma a Praça da Liberdade, mantiveram seus aspectos e estilos, originais.
O Palácio da Liberdade hoje
          O Palácio da Liberdade sempre foi um dos destaques da arquitetura belo-horizontina e um dos principais cartões postais de Minas Gerais. Requinte, luxo riqueza decorativa, história e beleza, são as marcas do palácio. (na foto acima de Arnaldo Silva, os jardins dos fundos do palácio)
          Desde 1977, o conjunto arquitetônico e Paisagístico originais da Praça da Liberdade, foram tombados pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (IEPHA/MG)
          Hoje, a sede administrativa do governo mineiro não é mais o Palácio da Liberdade e sim, o Palácio Tiradentes, projetado por Oscar Niemeyer. Construída no bairro Serra Verde, próxima ao aeroporto Internacional de Confins. O Palácio Tiradentes é mais conhecido por Cidade Administrativa, por abrigar, além da sede do Governo de Minas, todas as secretarias de Estado. (na foto acima do Wilson Paulo Braz/@paulobraz10, a parte frontal do Palácio da Liberdade)
          Já o Palácio da Liberdade, é hoje um espaço público, recebendo nas quartas e quintas-feiras, escolas para visitas e atividades educacionais. E ainda, é aberto à visitação do público em geral, aos sábados e domingos, de 10h às 16 h, com guias. Diante da situação atual que vive Minas Gerais e o país, as visitas foram suspensas. Certifique-se antes.

domingo, 23 de maio de 2021

O maior arranha-céu de Minas Gerais

(Por Arnaldo Silva) Na Vila da Serra, bairro de Nova Lima, na divisa com a Região Centro-Sul de Belo Horizonte, próximo ao Shopping BH e Hospital Biocor, um imponente edifício comercial, não passa despercebido.
          Isso por que é o Concórdia Corporate, o maior arranha-céu de Minas Gerais e o maior edifício, em estrutura metálica do Brasil, figurando ainda entre as 20 maiores torres do país. Construído entre 2015 e 2017, entrou em funcionamento, em 2018.(fotografia acima e abaixo de Wilson Paulo Braz/@paulobraz10)
          Sob a responsabilidade da Tishman Speyer, empresa internacional com larga experiência no ramo de construções, sendo responsável por edificações como exemplo, o Rockefeller Center, em Nova York, foi construído em parceria com a Construtora Caparaó e Codeme Engenharia.
          Projetado pela Dávila Arquitetura & Arquitetura, com projeto paisagístico de Burle Marx, o Concórdia Corporate tem 172 metros de altura, 44 andares, 8 subsolos, 16 elevadores, mais de 780 vagas cobertas para veículos e 40 para bicicletas, além de heliponto, restaurante, salas e lojas.  (fotografia acima de Wilson Paulo Braz/@paulobraz10)        
          São cerca de 59.217 mil m2 de construção, com nível em concreto e estrutura em aço e concreto. O edifício tem a aparência de prisma, mas possui fendas pelos lados, o que permite melhor ventilação e entrada de ar em todos os pavimentos.
          É todo revestido em vidro de alta qualidade. Em combinação com a luz do dia, reflexos no vidro, do entorno do Concórdia Corporate, torna o edifício mais atraente. (fotografia acima e abaixo de Wilson Paulo Braz/@paulobraz10)
          É uma construção Triple A, características das construções de alto padrão, tecnologia e de altíssima qualidade. Além disso, o Concórdia Corporate, foi projeto para gerar o menor impacto possível ao meio ambiente, conquistando assim o Certificado Gold em sustentabilidade e o Certificação LEED (Leadership in Energy and Environmental Design), categoria Gold.
          Além de sua beleza externa, seu interior, é igualmente atraente em sua beleza e design. Do topo do Concórdia Corporate, a vista é impressionante, seja durante o dia, ou à noite. (na foto acima do Wilson Paulo Braz/@paulobraz10), uma vista parcial do Vila da Serra)
          Isso porque permite uma completa e espetacular visão em 360 graus de toda a região, que sem dúvida alguma, é uma das mais belas da Grande Belo Horizonte. 

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021

O Parque Municipal de Belo Horizonte

(Por Arnaldo Silva) Inaugurado 76 dias antes da fundação oficial da Capital Mineira, em 1897, o Parque Municipal de Belo Horizonte, oficialmente, Parque Américo Renê Giannetti, prefeito de Belo Horizonte entre 1951 a 1954, se tornou um dos símbolos da capital e um dos mais tradicionais pontos de encontros das famílias belo-horizontinas. (fotografia abaixo de Rogério Salgado)
          O parque conta com cerca de 280 espécies de árvores diferentes,  entre jaqueiras, ipês, jacarandás, flamboyants, figueiras, fícus, pau-formiga, bougainvilles, manacá-de-cheiro, pau-terra, paineiras, pau-brasil, pau-mulato, dentre outras. Algumas dessa árvores, são centenárias. Cerca de 110 espécies diferentes de pássaros podem ser vistas no parque, como por exemplo, bem-te-vis, sabiás, socós, periquitos, pica-paus, sanhaços, saíras, canários, além de pequenos roedores e animais como por exemplo, micos e gambás.
          As nascentes no parque, formam 3 belos lagos, sendo o maior deles, com barcos e pedalinhos. Tem ainda jardins, parque infantil com diversos brinquedos, quadra de tênis e pista de patinação, pista de caminhada, quadras poliesportivas, equipamentos de ginástica, além de trenzinhos, fontes de água potável, sanitários, lanchonete, pipoqueiros e o tradicional algodão-doce, além dos saudosos fotógrafos lambe-lambe, que registram, desde a origem do parque, as recordações das famílias belo-horizontinas. (foto acima de Rogério Salgado e abaixo de Arnaldo Silva)
          O Parque Municipal é um verdadeiro museu a céu aberto. Caminhando por sua área, encontrará vários monumentos de grande relevância cultural e histórica, como o monumento dedicado à Mãe Mineira, esculpido pelo escultor italiano Lélio Coluccini, inaugurado em 1959.
          Ana Maria de Jesus Ribeiro, mais conhecida por Anita Garibaldi, heroína Catarinense, recebeu homenagens do povo mineiro, com uma estátua sua, instalada na Ilha dos Amores, no lago principal do parque (na foto acima de Arnaldo Silva).
          Duas réplicas de monumentos famosos no mundo, com os originais expostos no Museu do Louvre em Paris, estão no Parque Municipal, instaladas próxima a Avenida Ezequiel Dias. Uma é a réplica da escultura grega de Vitória de Samocrácia e outra, no Lago, outra escultura grega, a Vênus de Milo (na foto acima de Arnaldo Silva).   
          No Parque Municipal, encontra-se um charmoso coreto, rodeado por um belo jardim, em estilo francês. Esse coreto veio da Bélgica e estava inicialmente na antiga praça, em frente a atual rodoviária, transferido em 1922, para o parque. Tudo isso bem no centro da metrópole mineira. (foto acima de Rogério Salgado)
          Um lugar lindo, charmoso, nostálgico, pitoresco e atraente, desde sua fundação. E continua assim até os dias de hoje. É um dos mais belos cartões postais de Minas. Lugar onde famílias passam fins de semanas e feriados com os filhos. É comum toalhas estendidas sobre os gramados e as famílias em volta, no tradicional piquenique. 
          O Parque foi criado pelo engenheiro Aarão Reis, um dos integrantes da comissão criada em 1895, para projetar a nova capital mineira. Projetado por Paul Villon, arquiteto-jardineiro francês, o parque foi instalado na fazenda da família de Guilherme Vaz de Mello, numa área original de 555 mil metros quadrados. 
          Nessa época, o parque formava um imenso quadrado, entre a Avenida Afonso Pena, a antiga rua Araguaia, hoje Francisco Sales, a antiga rua Mantiqueira, hoje Alfredo Balena e a antiga rua Tocantins, hoje, Assis Chateaubriand. Esta área foi escolhida pela riqueza do solo e por suas nascentes de águas, que permitia o plantio de variedades de outras espécies. (foto abaixo de Arnaldo Silva)
          Belo Horizonte foi uma cidade que nasceu planejada. A previsão de seus idealizadores era teria  um crescimento lento, chegando a 100 mil habitantes, em 100 anos. Fatores como a industrialização e o êxodo rural constante, por exemplos, foram predominantes para o crescimento da capital, bem além das previsões iniciais. Mais de 120 anos depois de sua fundação, Belo Horizonte conta hoje com mais de 2,5 milhões de habitantes. 
          Com o crescimento da cidade, principalmente em torno da área do Parque Municipal, optaram por valorizar o crescimento urbano, reduzindo as áreas verdes, visão predominante na época. Assim, o Parque Municipal, começou a perder sua área. Avenidas e ruas em seu entorno começaram a ser alargadas. Com a instalação da Estação Ferroviária na capital, no início do século XX, parte da área do parque, deu lugar a trilhos. (foto abaixo de Rogério Salgado)
          Outra parte de sua área foi cedida para a instalação da Faculdade de Medicina da UFMG e da área hospitalar da Capital, entre as Avenidas Ezequiel Dias e Alfredo Balena. Um pedacinho da área, entre a Avenida Afonso Pena e Rua da Bahia, foi suprimido, para construção da Estação de Bondes, hoje, Mercadinho das Flores. Uma boa área do parque, no sentido BH/Sabará, foi integrada ao bairro Floresta, para construção de prédios residenciais e comerciais.
          Por fim, foram construídos dentro da área do parque, o Teatro Francisco Nunes, na década de 1940. Nas décadas de 1960 e 1970, foram construídos o Orquidário, o Palácio das Artes e o Colégio Imaco.
          Com isso, dos 555 mil metros quadrados da área original do parque, foram ao longo das décadas de sua existência, bastante reduzidos, chegando atualmente, a 182 mil metros quadrados de área. (fotografia acima de Rogério Salgado)
          Hoje, isso não aconteceria novamente com nenhuma outra área verde de qualquer cidade brasileira. Isso porque a visão atual, é de equilíbrio entre a urbanização e o meio ambiente, havendo consenso da necessidade de ampliar as áreas verdes das cidades, não o contrário.
          Em 1977, o Parque Municipal de Belo Horizonte foi reconhecido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA). Todo o conjunto paisagístico e arquitetônico da área do parque, foi tombado. Com isso, novas construções ou perdas de espaços, ficaram proibidos. Nesse mesmo ano, a área foi toda cercada. Em 1992, foram plantadas mais árvores em sua área, além de receber novas melhorias. (panorâmica abaixo de Arnaldo Silva)
          O Parque Municipal é administrado desde 2005 pela Fundação de Parques Municipais (FPM). É aberto à população de terça a domingo, de 6h às 18hs, com entrada franca.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

Contagem, a Matriz de São Gonçalo e a comunidade dos Arturos

(Por Arnaldo Silva) Contagem é uma das maiores cidades de Minas Gerais, com cerca de 700 mil habitantes, sendo a terceira cidade mais populosa de Minas. Está situada numa região de alto desenvolvimento industrial, sendo a própria cidade, uma das cidades mais industrializadas do país, contando com indústrias de segmentos diversos, com parte estando em seus seis distritos industriais: Cidade Industrial, Jardim Industrial, Polo Moveleiro da Ressaca, Cinquinho, Cinco e Cincão. É uma das maiores geradoras de empregos e renda em Minas Gerais. (na foto abaixo, de Thelmo Lins, escadarias da Matriz de São Gonçalo do Amarante)
          Conta com uma intensa malha ferroviária para transporte de cargas, através da antiga Estrada de Ferro Oeste de Minas, a Linha Garças a Belo Horizonte, ferrovia com acesso a Belo Horizonte, Divinópolis e Iguatama. Sem contar a sua intensa malha viária, com acesso fácil e rápido para a BR-262, BR-381 e BR-040, além de estar ligada à Belo Horizonte pela Avenida Amazonas e Via expressa. Do Centro de Contagem, ao Centro de Belo Horizonte, são apenas 21 km. O município faz divisa ainda com Esmeraldas, Ibirité, Betim e Ribeirão das Neves. 
          Contagem tem suas raízes nos tempos do Brasil Colônia, quando a Coroa Portuguesa criou ações para fiscalizar o movimento de pessoas, mercadores de escravos, mercadorias, cargas e tropas, através dos “Postos de Registros”. Tudo teria que ser fiscalizado com rigor e as mercadorias, contada uma a uma, principalmente gado e escravos. Esse rigor na fiscalização sobre a circulação de mercadorias, era para aumentar a arrecadação de impostos. (na foto acima de Arnaldo Silva, divisa entre Belo Horizonte e Contagem, no bairro Califórnia, próximo ao Metrô Eldorado)
          Um desses postos foi criado, em 1716, no início do século XVII, numa região conhecida como, Abóboras, onde hoje está a parte central da cidade. Os fiscais da Coroa Portuguesa ficavam o tempo todo contando o gado, os escravos e as mercadorias. Com o tempo, o lugar passou a se chamar Contagem das Abóboras, em referência ao ato de contar dos fiscais e do nome do lugar.
          Enquanto as cargas eram contadas e fiscalizadas, os tropeiros e mercadores, aproveitavam para descansar, pernoitar e se alimentar no local, já que as viagens pelo sertão eram bem longas. Com isso, algumas famílias se instalaram em torno do posto e começaram a oferecer comidas, bebidas e lugar para pernoites. Com isso, aos poucos, foi-se formando um pequeno povoado, que cresceu, devido ao grande fluxo de mercadores e tropas. Pouco tempo depois, por volta de 1725, era erguida uma pequena capela no povoado, dedicada a São Gonçalo, considerado o Santo protetor dos viajantes, passando o povoado a se chamar, São Gonçalo de Contagem das Abóboras.
          O Arraial cresceu rápido, foi elevado à vila, distrito e por fim, cidade emancipada em 30 de agosto de 1911, com o nome de Contagem. 
          Contagem, desde sua origem, no final do século XVII, se caracterizava pelo seu desenvolvimento. De seu passado nos tempos do Brasil Colônia, pouco restou, ficando como marcos de sua história antiga, a Igreja de São Gonçalo, construída em 1825, no século XVIII, substituindo a pequena capela erguida no início século XVII e algumas casas em estilo colonial e barroco, presentes no Centro, nas proximidades da Matriz de São Gonçalo. (na foto acima e abaixo de Thelmo Lins)
          A Matriz é um dos mais belos exemplares da arquitetura colonial mineira, mesmo tendo sofrido modificações em sua arquitetura original, nos séculos XIX e XIX, se mantém como uma das principais identidades da religiosidade dos contagenses. 
          Em seu altar, estão as imagens do padroeiro São Gonçalo do Amarante e da padroeira, Nossa Senhora das Dores, sendo que, desde 1806, durantes os festejos da Semana Santa, os contagenses celebram, o jubileu de Nossa Senhora das Dores, uma das mais antigas e tradicionais festas religiosas de Minas Gerais.
A Comunidade dos Arturos
          Contagem, desde seus tempos antigos, preserva suas tradições religiosas e folclóricas, com destaque para a Comunidade formada por descendentes de escravos, os Arturos. A história e origem da comunidade começa no final do século XIX, tendo sido formada numa área de 6.500 hectares, chamada de Domingos Pereira, hoje próximo ao Centro de Contagem, no bairro Jardim Vera Cruz.
          Tem esse nome porque são descendentes de Artur Camilo Silvério, filho de Camilo Silvério da Silva, trazido ao Brasil, num navio negreiro, vindo de Angola, em meados do século XIX. Desembarcando no Rio de Janeiro, foi enviado para trabalhar na exploração de minas e cultivo de lavouras, em Minas Gerais, passando a viver num povoado chamado de Mata do Macuco, em Santa Quitéria, hoje, Esmeraldas MG.
          Camilo casou-se com Felismiba Rita Cândida e teve 6 filhos, entre eles, Artur Camilo Silvério, nascido em 1885, quando vigorava a Lei do Ventre Livre. Artur, foi entre seus irmãos, o que mais prosperou. Casou-se com Carmelinda Maria da Silva, passando a viver com a esposa em terras que adquiriu, na localidade de Domingos Pereira, atualmente, bairro Vera Cruz, próximo ao Centro de Contagem.
          O casal teve 10 filhos que viveram e cresceram na propriedade, formando famílias, construindo assim uma comunidade com seus descendentes, formada atualmente por cerca de 90 famílias, estando hoje na quarta geração. São cerca de 600 pessoas vivendo em família, na comunidade, considerada uma das mais autênticas e originais do Brasil.
          Os Arturos se preocupam em preservar a pureza de suas raízes e tradições religiosas, divulgando-as através da percussão, dança afro e teatro, a vida e história dos negros, além de preservar, em sua originalidade, suas festas populares e datas significativas para a comunidade.
          A tradição, fé, religiosidade e cultura da comunidade dos Arturos, estão presentes nas Congadas de Nossa Senhora do Rosário, em outubro, na Festa da Capina, conhecida também por “João do Mato”, que acontece em dezembro, na Folia de Reis, em janeiro, o Batuque e na Festa da Abolição da Escravatura, em 13 de maio.
          A Comunidade dos Arturos, sua autenticidade e originalidade são tão importantes para Contagem e Minas Gerais, que em 2014, o Conselho Estadual de Patrimônio (Conep), em votação unânime, reconheceu a Comunidade como bem cultural de natureza imaterial, tornando assim, Patrimônio Cultural Imaterial de Minas Gerais.
Outros atrativos de Contagem
Shoppings e Feiras
          Além do Centro Histórico, da Comunidade dos Arturos e da Matriz de São Gonçalo do Amarante, Contagem conta shoppings centgers de grande movimentação como os shoppings Itaú Power Shopping, o Big Shopping, Shopping Contagem. Conta ainda com a Feira de Arte e Artesanato do bairro Amazonas, existente desde a década de 1980, na Avenida Juscelino Kubitschek, além da Feira de Arte e Artesanato do bairro Eldorado, nas manhãs de sábado, na Avenida João César de Oliveira.  (na foto acima de Arnaldo Silva, das torres da antiga fábrica de cimento Itaú. No local funciona hoje o Itaú Power Shopping)
Barragem Várzea das Flores
         Como atrativos naturais, no município encontra-se a Barragem Várzea das Flores, na divisa com Betim, construída em 1972, para garantir o abastecimento de água na região. É muito procurada para atividades de lazer e esportes aquáticos na região. 
Parque Municipal Gentil Diniz
          Outro atrativo natural, é o Parque Municipal Gentil Diniz, na área central da cidade. É um dos atrativos da cidade, com destaque para sua área verde, com matas de Cerrado e remanescente de Mata Atlântica, numa área total de 30.000 m². Neste parque, tem ainda um casarão do século XIX, árvores frutíferas, pequenos animais, um anfiteatro, um pequeno trecho de uma estrada feita por escravos, no século XVIII, uma horta com plantas medicinais e duas nascentes. 
A Casa dos Cacos
Tem ainda a Casa dos Cacos, construída entre 1963 a 1989 por Carlos Luís de Almeida, professor de Geografia. A casa é toda revestida, inclusive o mobiliário e adereços, com cacos de louça e vidros coloridos, pacientemente trabalhados, durante décadas. É única nesse estilo no Brasil.
          Por ser uma cidade grande e desenvolvida, Contagem conta com dezenas de praças, áreas para esportes, clubes recreativos, bares e restaurantes sofisticados, com ótima gastronomia e uma agitada vida noturna.

terça-feira, 15 de dezembro de 2020

A melhor cidade de Minas para se viver. Saiba qual é.

(Por Arnaldo Silva) A Origem de Nova Lima, cidade que faz divisa com a região Centro Sul de Belo Horizonte, data do início do século XVIII, com a descoberta de várias minas de ouro na região. Por isso, seu primeiro nome foi Congonhas das Minas de Ouro. 
          Em 1748 o povoado que se formou na região das minas foi elevado a freguesia, depois a distrito, de Sabará, em 1836, com o nome de Congonhas de Sabará e por fim, a cidade emancipada em 5 de fevereiro de 1891, passando a chamar-se Villa Nova de Lima e por fim, Nova Lima, a partir de 1923. 
          Lima é em homenagem a Augusto de Lima, poeta, professor jurista, jornalista magistrado e político mineiro, natural de Nova Lima/MG, nascido em 5 de abril de 1859, falecido no Rio de Janeiro/RJ, em 22 de abril de 1934. 
A melhor cidade de Minas para se viver
          Atualmente, Nova Lima conta com 11.697 mil habitantes. (fotografia acima de Júlio de Freitas, com destaque para a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, ao centro) Por estar na divisa com uma das regiões mais ricas de Belo Horizonte, a Centro Sul, Nova Lima vem atraindo a cada dia, moradores de alta renda da capital, para a cidade.
          Entre os 853 municípios mineiros, Nova Lima é a cidade de maior IDH-M (índice de Desenvolvimento Humano dos Municípios), segundo dados da ONU. É atualmente a melhor cidade de Minas Gerais para se viver, devido ao seu alto índice de IDH-M, 0,813 e sua excelente estrutura urbana, social e econômica. 
          Segundo dados divulgados pela Fundação Getúlio Vargas em 2019, tendo como base declaração de Importo de Renda de 2018, junto à Receita Federal, em Nova Lima (na foto acima de Elpídio Justino de Andrade) está a maior concentração de ricos do Brasil, com uma renda média mensal de R$6.253,03. A segunda colocada foi Santana de Parnaíba (SP) com R$ 5.384,77. A terceira foi Aporé (GO) com R$ 5.233,93. A quarta foi São Caetano do Sul (SP) com R$ 4.565,34 e a quinta colocada no ranking nacional, foi Niterói (RJ) com uma renda média mensal de R$4.186,51.
Atividade econômica
          Desde sua fundação, Nova Lima se destaca na área econômica em Minas Gerais, principalmente pela exploração mineral, de minerais como o ouro, e atualmente, em maior escala, de minério de ferro. Algumas minas de ouro antigas continuam ativas no município, como a de Morro Velho, da Mostarda e do Rio de Peixe.            A cidade conta ainda com um variado parque industrial, sendo ainda, Nova Lima, uma cidade turística, com belezas naturais preservadas, arquitetura charmosa em suas construções que vai do colonial, barroco mineiro, colonial inglesa à arte decor. 
Distritos e a tradição cervejeira
          Conta ainda com o charme de distritos pitorescos e coloniais como a Vila Colonial de São Sebastião das Águas Claras, a popular, Macacos, famosa pela arquitetura preservada de seu casario colonial, por sua dedicada a São Sebastião (na foto de Andréia Gomes), pelas pousadas e restaurantes típicos, suas belas cachoeiras e paisagens exuberantes e trilhas. Tem ainda o distrito de Honório Bicalho, o bairro Jardim Canadá, onde estão concentradas as principais cervejarias de Minas Gerais, já que Nova Lima é um dos maiores polos cervejeiros do país.
          A tradição cervejeira de Nova Lima não é recente. Desde o século XIX, Nova Lima vem se destacando na produção de cerveja artesanal. Tudo começou quando o imigrante italiano, Fioravante Eugênio Armani, se estabeleceu na cidade nessa época e abriu uma unidade da Cervejaria Gabels, no distrito de Honório Bicalho. A Gabels foi a primeira cervejaria artesanal puro malte de Minas Gerais. (na foto abaixo do Júlio de Freitas, o Rio das Velhas em Honório Bicalho)
          Hoje, a cerveja artesanal é uma das maiores tradições do município, contando inclusive com Selo do Polo da Cervejaria Artesanal, para as cervejarias que atendam os requisitos de qualidade e das leis sanitárias vigentes. A qualidade das cervejas nova-limenses, feitas com ingredientes diferenciados e estilos criativos, vem conquistando o paladar dos amantes da bebida e reconhecimento em Minas, no Brasil e internacionalmente, através de diversas premiações de seus rótulos. Um dos marcos do polo cervejeiro de Nova Lima é a Uaiktoberfest, que reúne cervejeiros e cervejarias de todo o país, na cidade, no mês de outubro. O evento conta com figurinos em trajes típicos germânicos, shows musicais, gastronomia mineira, presença das principais cervejarias do país, além de apresentar as novidades do polo cervejeiro de Nova Lima.
Tradição gastronômica
          Nova Lima se destaca ainda na Gastronomia, desde os tempos do Brasil Colônia e ainda contou com forte influência inglesa em sua cultura, história, desenvolvimento e gastronomia. 
          A influência britânica em Nova Lima teve início no século XIX, quando a Anglo Gold, multinacional inglesa, adquiriu a Mina de Morro Velho, em 1834, transferindo a filial da empresa, em São João Del Rei, para Nova Lima, com direção em Londres, capital do Reino Unido. 
          Os ingleses tinham muita experiência na extração mineral com conhecimentos, técnicas e maquinário industrial, inexistentes naqueles tempos. Em terras mineiras, deixaram um pouco de sua cultura, da sua rica arquitetura, presente na cidade, e principalmente no bairro Quintas.
Outras Atrações de Nova Lima
          Nova Lima é uma cidade muito bem cuidada, elegante, acolhedora e com uma arquitetura variada nos estilos colonial inglês, barroco mineiro, neoclássico, art décor, eclética, modernista e contemporânea. Esses estilos variados presentes em sua arquitetura chama a atenção pela riqueza, beleza e qualidade dos detalhes e entalhes. (fotografia acima de Júlio de Prestes)
          A Rua do Zigue-zague (na foto de Cássia Almeida) é muito interessante. Foi construída por volta de 1894 em forma de Z, ligando a parte baixa da cidade à parte alta, onde estava sendo construído um novo bairro, sendo essa subida o único acesso para o Largo da Matriz. Para chegar material de construção à parte alta, o transporte era feito em lombos de mulas e burros, e mesmo para quem subia a pé, era um sacrifício muito grande. A forma encontrada, para aliviar, tanto o peso da carga nos animais e facilitar a subida das pessoas, foi fazer uma escadaria em Z, fazendo com que a subida fosse menos cansativa, tanto para as pessoas, quanto para os animais. É um dos símbolos da cidade e uma das grandes referências em Minas na preocupação com a mobilidade humana, bem como no respeito aos animais. 
          A Lagoa dos Ingleses é um dos mais belos cartões postais da cidade. É uma lagoa artificial, criada em 1932 para ser uma barragem de armazenamento de água de chuva, para gerar energia para mina de Morro Velho, que é a concessionária do uso das águas da represa. Com o passar do tempo, a lagoa passou a ser usada para prática de esportes e em seu entorno, já que a região está na divisa com a zona sul da capital, começaram a surgir construções, prédios e o residencial Alphaville. Hoje a lagoa é um dos mais belos lugares de Nova Lima, muito procurada por turistas e praticantes de esportes náuticos, tanto de Nova Lima, quanto de Belo Horizonte. (foto acima de John Brandão/@fotografo_aventureiro)
          A art décor, um movimento que surgiu na Europa no início do século XX, está presente em dezenas de construções na região Central da cidade, em destaque para o Teatro Municipal Manoel Franzen de Lima (na foto acima de Elpídio Justino de Andrade), projetado pelo arquiteto italiano Raffaello Berti, em 1939, inaugurado em 1943. São 3 pavimentos, com capacidade para 800 pessoas.
          Outro destaque em sua arquitetura é o prédio da Câmara Municipal e Biblioteca Municipal. Construído em estilo neoclássico, predominante na Europa no século XVIII. Os edifícios tem traços greco-romanos, com colunas e arcos. 
          Os ingleses construíram suas casas no estilo da Era Vitoriana, quando Vitória, era a Rainha da Inglaterra. (na foto acima do Júlio de Freitas, a Igreja Anglicana de Nova Lima) Uma das características desse estilo era o uso de madeira nas construções como vigas, telhados e assoalhos, bem como paredes pintadas com cores diferentes para a época, como o cobre, vermelho, marrom e o dourado, que para os ingleses significava a riqueza. Além disso, o uso excessivo de adornos, objetos e móveis em madeira muito bem talhados, era uma de suas principais características. 
          O estilo arquitetônico da Era Vitoriana, na Inglaterra, pode ser visto em Nova Lima, no bairro Quintas (foto acima de construção em estilo vitoriano, de autoria de Elpídio Justino de Andrade), onde boa parte dos ingleses optaram por viver, quando aqui vieram a partir de 1834, para explorar a Minas de Morro Velho. Usavam as madeiras da região para fazerem as bases de suas casas, bem como os assoalhos, as sacadas e varandas em treliças. As casas eram cercadas com cercas vivas. Os ingleses não faziam muros. O bairro é um exemplo típico da arquitetura colonial inglesa. Algumas das construções do século XIX do bairro, se transformaram em cartões postais da como a Casa Grande, que sedia o Centro de Memória da Anglo Gold, o Clube das Quintas, a Sede da Companhia Independente da PMMG, dentre outros casarões. 
          Além da tradicional arquitetura eclética, colonial barroca, colonial inglesa, neoclássica e art décor, a cidade tem vários traços modernos em sua arquitetura urbana, bem nítidos no bairro Vila da Serra, como a Torre Alta Vila com 103 metros de altura, que conta com restaurante e mirante, de onde tem uma ampla vista de Belo Horizonte e Nova Lima, além do Edifício Concórdia, o maior arranha-céu de Minas Gerais (na fotografia acima de Júlio de Freitas/@julio_defreitas). 
          A cidade conta ainda com restaurantes e bares requintados e tradicionais, com pratos de várias cozinhas do mundo, além da mineira, casas de shows, shoppings, prédios e casas moderníssimas, formando uma mescla de estilo de épocas diferentes, atrativos a todos os gostos. (na fotografia acima do Marley Mello, o Vila da Serra, um dos mais charmosos bairro de Nova Lima, na divisa com BH)
          Além das atrações citadas acima, em Nova Lima o visitante tem ainda como atração a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, a Igreja de Santo Antônio (na foto acima de Elpídio Justino de Andrade) a Igreja de Nossa Senhora da Conceição, o Estádio Castor Cinfuentes, o Parque Ecológico Rego dos Carrapatos, o Concordia Corporate.
          O Bicame é outro atrativo histórico. Trata-se de um aqueduto feito para levar água até a Mina de Morro Velho. Foi projetada pelo inglês George Chalmers, (Falmouth, 1857 - Golders Green Crematorium, Londres, 1928), um minerador e empreendedor britânico, radicado no Brasil, superintendente da Mina de Morro Velho, na época. George Chalmers teve participação na ornamentação interna da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Pilar (na foto da Andréia Gomes), erguida no século XVIII, doando obras do Mestre Barroco Mineiro, Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, que ornamentam altar-mor, o coro, o batistério e as laterais do altar. É uma igreja de grande valor artístico e cultural não só para Nova Lima, mas para Minas Gerais.
          Nova Lima é uma cidade acolhedora, com um povo hospitaleiro e muito gentil. A conta com uma ótima rede hoteleira e gastronômica, além de várias opções de lazer, naturais, com seus parques, matas, trilhas, montanhas, cachoeiras e belezas naturais diversas, além de atrativos culturais, religiosos e folclóricos durante o ano todo.

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